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... apenas abro as janelas do tempo e deixo o verbo falar...
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foi assim
O óbvio que precisa ser dito: não tem certo nem errado, que este seja melhor que aquele, ou vice-versa. Grave é não saber o que somos. Em algum momento da vida eu aprendi que saber como somos talvez seja mais importante do que propriamente ser; do que propriamente viver. Eu não tenho a menor qualificação filosófica para distinguir um do outro. Facilitemos: viver sem autoconhecimento é mais perigoso do que descer desavisadamente o Morro dos Prazeres em Santa Tereza.
22 de fev. de 20222 min de leitura


Cortella, e a sua mortadella?
Todos os atendentes embalam os frios no papel. Ela não. Então eu passei a pedir só para Ela, especialmente a mortadela que jamais deve ser embalada no papel comum; com o mesmo tamanho utilizado para os demais frios. De diâmetro maior, e com a umidade, ela acaba rasgando o papel e quando chego em casa invariavelmente está esgarçada e escapando da embalagem. Isso me incomoda. É apenas mais uma das minhas manias. Outro dia foi o presunto cozido que chegou esgarçado. Aí eu
22 de dez. de 20213 min de leitura


o resto é silêncio...
Sem preliminares hoje. Aqueles que leram as últimas duas crônicas querem desde logo saber o evento “simples e grandioso” que me ocorrera naquela quarta-feira. O evento. Ou melhor, ambos os acontecimentos já que este último só ganhou relevância porque outro o precedeu. Hoje, ao contrário das anteriores, não tenho compromisso; nada mesmo previsto para esta sexta-feira à noite. Ela é só véspera de sábado e nada mais. Não precisarei sair para pegar as minhas filhas tampouco há bo
20 de nov. de 20212 min de leitura


cafe sospeso
Last week I watched "Cafè Sospeso," which I strongly recommend. It's hard to say what my favorite movie is. I think it's the same crazy question as "What is your favorite book?" So, unless the movie is a piece of shit, I used to say: "The best is the last one." The right question might be: which movie could you watch again? It's an old one called Dead Poets Society. Ah — and Forrest Gump and Cast Away. Do you want to know the meaning of "sospeso" and how it works? It's quit
7 de nov. de 20212 min de leitura


alho, muito alho
Escrevo de Helsinki. Ao menos é o que o céu cinza e obscuro de agora me permite viajar para lá daqui mesmo de São Paulo. Sim, basta que eu não compare as construções e os índices de criminalidade. Demos uma pausa, Olívia e eu, na série deadwind, que se passa na Finlândia. De lá, por ora, conheço só a vodca mesmo. As séries nórdicas me agradam; no mais das vezes assassinatos misteriosos que, nos parece, ocupam toda a força policial e há sempre um detetive que não dorme enqu
24 de out. de 20212 min de leitura


a vida dura em Venâncios
Voltamos para a terra dos Venâncios, Gonçalves; no rancho de sempre chamado vida dura. Pouco antes de Paraisópolis, numa lombada, vi lindos cachos de uva que desconfiava não fossem da região. Parei. Papo vai, papo vem, vinte reais o quilo; são de Petrolina. Um grupo de dez paranaenses compra um caminhão numa carga que dura quatro dias e distribuem pela região. Quatro reais e cinquenta o quilo com o frete já incluído. Somos um Brasil de oportunidades mesmo. Sim, é lucrativ
11 de out. de 20212 min de leitura


a higher call
Depois de Unbroken, de Laura Hillenbrand, leio meu segundo livro de histórias sobre a segunda guerra mundial, A Higher Call, de Adam Makos, que conta o embate aéreo entre dois pilotos, Charlie Brown e Franz Stigle, americano e alemão respectivamente, no final de 1943. É infinita a quantidade de livros sobre a segunda guerra. De filmes e séries também. O último que assisti na Netflix foi The defeated. Enquanto escrevia Hannah, meu primeiro livro, que narra o drama e a vida
25 de set. de 20213 min de leitura


Casei...
com um comunista é menos empolgante do que Pastoral Americana, ambos do Philip Roth, vai esquentar lá pela página 284 quando o jovem Nathan está sendo recrutado por O´Day. Após uma incursão psicológica pelos dormitórios dos comunistas, vai distribuir panfletos aos operários durante as trocas de turnos nas fábricas; chega a dizer ao seu pai: Sou comunista! Convicção que não dura cinco páginas. É genial como o livro narra o ideal comunista no pós-guerra e a perseguição (as lis
18 de set. de 20213 min de leitura


paraíso perdido
Este é o nome da terceira parte de pastoral americana de Philip Roth, o primeiro de uma trilogia informalmente criada pelos críticos onde o autor questiona o American Dream e o American Way Of Life, a partir da década de 50 com a guerra fria. Casei-me com um comunista e a Marca humana a completam. Não terei tempo de terminar o livro antes da crônica desta semana. O Sueco, personagem (o sonho americano), acaba de conversar com Jerry por telefone, seu irmão, depois de encontr
11 de set. de 20213 min de leitura


à beira da estrada
Estou há alguns minutos aqui vendo o cursor piscar. Durante a semana geralmente algo acontece que me vem o estalo criativo e que prescinde de maiores divagações para começar a escrever; basta o estalo. Prescinde exatamente não é a expressão adequada para crônicas. Certo seria usar dispensa. O desta semana, porém, envolve um descontentamento da minha filha mais velha a caminho da adolescência que, crescendo, percebe que uma de suas características pessoais poderia ser difere
28 de ago. de 20213 min de leitura


Max e Moritz
Repentinamente parei de escrever as crônicas, como vocês sequer perceberam. Vejam o paradoxo: eu mesmo cansei delas. Chegou uma sexta e pensei: não escrevi a de amanhã. Na seguinte: não escrevi a de amanhã. Dessa constatação para um foda-se foi um só átimo. E aí meu amigo, depois que abre a porteira passa mesmo a boiada. Sem motivo aparente, simplesmente fiquei sem vontade. A preguiça venceu a disciplina? Pode ser. Temos que respeitar nossas limitações? Pode ser também. Mas
20 de ago. de 20212 min de leitura


publica logo!
Minha vontade é pagar à vista. Na dúvida, perguntei para a minha filha. Ela achou melhor pagar parceladamente. Em vez de escrever um textão de duas mil palavras, equivalentes a quatro crônicas, ideal seria pagá-las semanalmente. Logo me ocorreu então de fazê-la às quartas e sábados até que a conta seja paga. Sem pensar muito já comecei a escrever esta daqui, tipo para aquecer. Crônica é que nem sexo; tem que praticar não adianta. Tudo porque gosto da ideia de que “tanta
21 de abr. de 20212 min de leitura


Vacas, galinhas e pinhões...
Voltei para a roça em Gonçalves. As crianças fizeram aula online e eu trabalhei normalmente. Onde estamos não tem sinal de celular, mas com internet rural não há isolamento absoluto. Estar na roça e conectado nos permite uma rotina diferente. De manhã é possível andar pelas estradas de terra, pegar pinhão e ovo fresco do galinheiro. Eu sou um homem da cidade cuja cabeça não sai do campo. Confinamento é chato; piora se o espaço de circulação é pequeno. Piora ainda mais se
9 de abr. de 20212 min de leitura


Mangue Seco
O lugar é lindo. As dunas de hoje não são as de ontem. Foram obrigados a estancar o movimento delas com uma planta rasteira antes que invadisse o povoado. As dunas de Tiêta não são as que eu vi.
20 de fev. de 20213 min de leitura


Aracajue-se
Descemos do avião mergulhando na brisa constante; no calor quase abafado. A quarta-feira Aracajuense lembra um Domingo qualquer em São Paulo, é um vaivém tranquilo. Não demorou muito para chegarmos aos Mercados Municipais, almoço na Dona Rita; ambulantes se revezam incessantemente para nos vender as suas traquitanas. O primeiro chegou a se sentar. O segundo, meio hippie meio artista, recitou O amor bate na aorta de Drummond; em seguida narra a sua jornada para voltar a Maceió
13 de fev. de 20212 min de leitura
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