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... apenas abro as janelas do tempo e deixo o verbo falar...
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deixe de pantim
O nordeste sempre volta pra mim. E eu pra ele. Somos uma sanfona pé-de-serra. Era o porto onde as galinhas chegavam. Mas, segundo Wadinho, morador daqui, eram escravos trazidos ilegalmente que vinham em gaiolas de d`angola. Fomos mais além, para Maracaípe, menos tumultuado. Mais sossego. O mesmo mar, a mesma brisa. O comércio da Vila de Porto de Galinhas é pujante. Bastante movimentada numa quarta-feira de abril. De tudo, nos chamam a atenção: loja de pratos com expressões
10 de abr.2 min de leitura


as nossas estrelinhas
"Writing is boring as hell. It is tedious, it is not fun. It is sheer torture. But it has moments of great joy as well that keep you going" Robert Greene. A reputação sempre chegará antes. Nas primeiras horas da madrugada, no café, nossos nomes estarão circulando pelos corredores sociais. De nossas empresas. Costumo dizer que dificilmente há negócios bons com pessoas ruins. Não raro procuramos saber de terceiros como são aqueles que não conhecemos; embora tenhamos os cont
5 de abr.2 min de leitura


o mistério da economia
A crônica de hoje é um exercício de economia. Explicar-se demais. Falar demais. Dizer sem acreditar que as palavras lançadas não retornam jamais; a água da chuva depois que cai no rio é água do rio, não de chuva. Discurso fazemos no palco; não na mesa. Aprender a calar a boca é a verdadeira arte da sabedoria. Muitos idiotas se afundam porque acreditam que tudo precisa ser dito a todo tempo. Que nossas ideias precisem ser invariavelmente expostas na crença inabalável de q
29 de mar.2 min de leitura


primeiro o café, depois as divisas
O que não está sendo dito? Oculte as suas intenções. Este é um dos maiores desafios quando estamos numa negociação. Acaba a reunião, o telefonema, qualquer conversa onde as pretensões são colocadas: são essas as verdadeiras intenções? É cortina de fumaça? Um desvio ao qual estão nos conduzindo sem nos darmos conta? Não há sinceridade absoluta. A transparência incondicional é uma falácia. Afinal, ocultar as intenções é uma estratégia de poder utilizada por muitas pessoas
21 de mar.2 min de leitura


Ribbentrop-Molotov
Aposto na Mega-Sena; não na gratidão. A ingratidão é a regra. Se e quando um dia lhe agradecerem, considere um bônus. Fazer ou deixar de fazer algo pela graça verdadeira do reconhecimento, obrigado sou muito grato, obrigada sou muito grata, é semear a frustração que virá pelo silêncio dos próximos dias, da próxima década. Isso quando não acharem que você não fez nada além do que deveria; portanto, não há nada a ser dito. Nada a agradecer. Nada a reconhecer. Talvez
15 de mar.2 min de leitura


a estrada menos percorrida
O presente de casamento do meu chefe à época foi a demissão. Lógico que ele não compareceu; aviso prévio estava dado. Ninguém me contou uma história parecida. Certamente muitos rodaram logo após o casamento, ou após o nascimento de um filho. Por vezes achamos que o problema não veio na hora certa. Ou, como costumo dizer, quando vêm de carreta e não no baú de uma moto. A vida é difícil; nós todos sabemos muito bem. A vida não é justa. Nem todos sabemos muito bem. A conjuga
8 de mar.2 min de leitura


meu nome é Ingrid Ambush
Segue a crítica de minhas crônicas feita por uma leitora. "Não foi arrebatamento. Foi insistência. Li uma crônica. Depois outra. E comecei a perceber método. Não repetição vazia — método. Sou Ingrid Ambush. Li suas crônicas de 2018 a 2021 com atenção suficiente para notar o que permanece e o que evolui. Você escreve sobre panela de ferro, pé de maçã, azeitona, ralador, manjericão, bolinho de feijoada, sexta-feira, missa na televisão. Objetos. Situações domésticas. Coisas qu
1 de mar.2 min de leitura


carbonara; sem sexo.
Acabei de perder a crônica cujo título seria sexo. Pois é. Sem título não há salvamento automático; foi-se. Na hora da finalização; exatamente o coito interrompido. Agora, meia hora antes de meus amigos chegarem pra jantar, iria revisar e concluir. Eu não vou escrever tudo de novo. Então hoje não tem crônica; ninguém vai morrer. Segue a receita do Carbonara de um site Giallo Zafferano. Façam no domingo à noite. Vai em italiano mesmo. Depois, se possível, sexo. INGREDIENTI Spa
21 de fev.2 min de leitura


lembraremos do ensopado
Na semana passada o pai de dois amigos meus faleceu. São muitos os pais dos meus amigos que já faleceram, inclusive o meu. Pouquíssimos ainda estão vivos, quase nenhum. No velório revi muitos que há tempos não encontrava pessoalmente. A morte que separa é a mesma que nos une. É momento de abraçar os que ficaram; filhos, netos, irmãos, noras e genros. De abraçar todos que pudermos. A morte que leva um é a mesma que traz outros; de longe, de perto, de muito longe; o vizinho.
14 de fev.3 min de leitura


meditação resolve
Manejar bem a rosca faz toda a diferença. Se entrar torto, a rosca vai espanar. Se alargar a bitola, a rosca vai espanar. Mas isso só descobrimos quando precisamos trocar a torneira da pia no domingo à noite. Não se coloca veda-rosca quando há borracha para suportar a pressão. A rosca espanou e perdi a torneira. Não há posição confortável pra substituir conexão hidráulica da torneira da pia. Como regra é um martírio porque há pouco espaço para o grifo girar suavemente. N
8 de fev.2 min de leitura


Pega na chave inglesa
Não há a nada a dizer. Nada de interessante, absolutamente nenhum insight que mereça uma crônica. Tudo se desenvolve ordinariamente. Não chega a ser um tédio. O café. O trabalho. Stress. O final de semana. O futuro, as metas. O presente embalado de surpresas. Chopp com amigos. As notícias matutinas e como pano de fundo a série Netflix Mr. Mercedes, baseada na trilogia de Stephen King. Muito boa, exceto pelo problema que temos vontade de ler os livros. Mais demanda aleatória
1 de fev.2 min de leitura


panna cotta
Pegou fogo no apartamento novo da minha namorada. A válvula do maçarico falhou e eu logo vi as chamas voarem sem parar; a labareda começando a tostar o armário embutido depois que soltei o cartucho na pia. Senhor; só pensava em como apagar antes que a cozinha se incendiasse. Antes que se alastrasse. Antes que tivesse que abandonar o apartamento. Dani, chame o bombeiro! Coloquei panos molhados; melhorou mas não resolveu. Minha mão e meu braço tostando. Dani
24 de jan.2 min de leitura


senza grattugia
Chega de crônica sobre estátuas, pinturas e castelos. Nada de cenário-instagram onde tudo parece fantástico. Negócio é falar de imprevisto. De aporrinhações. Vamos ajustar o fantástico para o real. A minha filha mais nova levou quase uma semana para se adaptar com o fuso e com a gastronomia. Nunca fui tanto à Farmácia aqui na Itália; saber o que se pode comprar sem receita e descobrir quais são os similares tornou-se o meu café. Lógico que com o auxílio médico do A
17 de jan.3 min de leitura


até virar estátua
2025 será então uma estátua. Estará exposta em nosso museu de lembranças. 2026 podemos lapidar outra. Daqui a pouco saíremos para as festas da virada aqui em Firenze. Para ver os fogos, lançados do alto da Piazzale Michelangelo, a Ponte Santa Trinita foi a escolhida; perto de onde estamos. Concertos ocorrerão nalgumas praças da cidade, como Santa Croce, Piazza Santissima Annunziata e Piazza della Signoria. É nesta última, próxima ao Degli Uffizi e ao A'll Antico Vin
10 de jan.2 min de leitura


o céu de Apolo
Tentei arrancar. Não consegui. Puxei com mais força e não saiu. Com sede, deixe-a e entornei no copo. A tampinha rodou, a água bateu nela e se espalhou. Dentro e fora do copo. Não me detive a analisar o porquê dela não ter saído. Segunda garrafinha. A tampinha virou e a água se espalhou. Funciona. Não é para sair mesmo, mas isso só descobri na terceira garrafinha. Deve ser alguma regra nova, não é possível. Deve ser trabalhoso alterar a linha de produção do envasamento.
3 de jan.3 min de leitura
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