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... apenas abro as janelas do tempo e deixo o verbo falar...
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filhas: minha crônica testamento...
Fogo. Quero ser cremado e virar pó. Não deixem os vermes me comerem debaixo da terra. Por favor. Confesso que ainda não vi os detalhes, mas eu deixarei algum esquema prático para que seja mais fácil. As cinzas, né?
5 de set. de 20204 min de leitura


é tarde demais...
Nossos automáticos são as nossas criações pródigas. Elas vão gastando os nossos sentimentos, as nossas experiências e os nossos amores como se não houvesse amanhã. Até que seja tarde demais. Por vezes, dão as mãos aos nossos preconceitos, estreitam-se às crenças intransitivas e programam o maravilhoso mundo da continuidade de nossos crepúsculos. De um dia que não se vê passar. Do sol nascente à lua brilhante nós vamos nos balizando pelas nossas vinte e quatro horas, dias
29 de ago. de 20204 min de leitura


o mundo não para de interferir
"Enquanto o conhecimento temeroso se detém em reflexões, a ignorância audaciosa já liquidou o assunto" Samuel Daniel. "Bem, para ser franco, Charlie, estou temporariamente fora de forma. Tenho que voltar à condição em que poderei de novo escrever poesia. Mas onde está o meu equilíbrio? Existem ansiedades demais. Elas me deixam completamente seco. O mundo não para de interferir. Tenho que recuperar o encantamento. Tenho a impressão de que estou morando num subúrbio da realid
22 de ago. de 20204 min de leitura


300
Percebi que os leitores raramente saem do insta para ler as crônicas postadas no blog. Visitam o perfil mas raramente chegam a acessá-las. Logo entendi que uma boa solução seria o arrasta pra cima. Que pueril. Que idiota. Como se arrastar pra cima fosse para qualquer um. Somente a conta com mais de dez mil seguidores tem essa prerrogativa. Quer dizer que os 300 que me seguem hoje não merecem ter o benefício do arrasta pra cima? Não. Não pela lógica atual. Nós nos perdem
15 de ago. de 20203 min de leitura


mais creminho por favor.
Estávamos num daqueles diálogos bumerangues em que dois ou mais assuntos não terminados eram conversados quase que simultaneamente... - Mas afinal qual é a sua meta? - Consumir mais creminho! - Como assim? Creminho de....? - Consumir não é bem a palavra, não é consumir de adquirir, consumir mais no sentido de receber, no sentido de chegar algo que você está esperando... - Mas você diz creminho de....? - É, creminho...Mas tomar não é a expressão que melhor o define porque não
8 de ago. de 20203 min de leitura


a Betina de roxo
Imagino o longo processo e a coragem para se desvencilhar das xps e, aos poucos, de call em call, se jogar no mundo da comunicação e do estilo. Pena que eu não tenho a foto do chapéu que ela usou e que - quando a vi irradiante - me arrancou a já célebre frase "Estilo é tudo".
25 de jul. de 20203 min de leitura


a próxima então!
- A próxima crônica está ótima! - Como assim, você começa um texto falando do próximo? E todo aquele papo de viver o presente, de focar as energias no agora, afinal a próxima somente será postada no próximo sábado! Daqui a uma semana! Você parece o Aloisio que namora Ester pensando em Marina. Que come assado pensando em frito. Tem noção do mar de caminhos que se abre numa semana? - É que o assunto da próxima crônica é muito mais interessante do que o de hoje. - Uai! Então
18 de jul. de 20202 min de leitura


a kafkiana
Conheci Kafka lendo uma sentença do meu pai onde ele fazia referência a Josef K., protagonista do livro O processo . Depois passei a ouvir a expressão kafkiana com regular frequência até que não havia outra alternativa senão ler um de seus livros para entender melhor o que exatamente seria uma situação kafkiana. Um processo kafkiano. Um personagem kafkiano. Isso deve ter sido por volta de 1997 no terceiro ano de faculdade. Sem vírgula mesmo depois de 1997. Nunca saberei se
11 de jul. de 20205 min de leitura


Tudo bem, é só uma vez por ano...
- Mas se você ganhar na loteria, ou na mega-sena, o que você compraria sem pestanejar? - Listerine, respondi. De litro. Eu beberia Listerine sem engolir. A pergunta é hipotética. A minha resposta é autêntica. Qualquer pessoa poderia ter feito essa pergunta. Peguei-me com essa ideia besta depois que mudaram os frascos de Listerines coloridos de lugar no supermercado. Dei de cara com eles. Estavam todos lá: o rosinha, o verdinho e o balinha. Deles escapo com frequência mas
4 de jul. de 20204 min de leitura


esses gênios...
- É um gênio! Mas que filho da puta! Kepesh sonhou que conheceu a puta que Kafka comia. Como ele teve essa ideia? Falei em voz alta sem me dar conta e joguei o livro sobre a cama, já em direção da cozinha para fazer o café. Repeti a mesma frase por mais algumas vezes até que a cafeteira italiana fumegasse. Sempre dando muita ênfase na segunda parte, mas que filho da puta! Estava lendo o Professor do Desejo do Roth. Prevendo a inclusão numa eventual crônica, eu separei
27 de jun. de 20204 min de leitura


Antes que eu me esqueça!
Originariamente postado em 31.10.2017. É a primeira crônica do blog. Antes que eu me esqueça, escrevo solto e soltas algumas notas de crônica. Saudades das manhãs de jornal impresso sujando as mãos de estudante e das emoções de Ignácio de Loyola Brandão no Estadão. A crônica se reduziu na importância e se disseminou pelos blogs e facebook, me parece. E lá vou eu fazendo a minha, dominical, na madrugada, sem licença; nem leitor ou roteiro. Numa das cenas de Mindhunter, n
25 de jun. de 20204 min de leitura


na padaria
Duas atividades me excitam. Sexo e padaria. Não, nunca fiz sexo na padaria entre fornadas de cacetinho. Da primeira, portanto, não falaremos hoje. Nada impede que você, leitor, você, leitora, de algum modo, se imagine entre farinha, manteiga e batidas de chantilly...e dê assim cores ao seu fetiche ainda não satisfeito. Dou-lhe apenas a dica de não focar só na compania mas também no quitute. Pode focar na compania que trabalha na padaria que você frequenta. Pode também ser a
20 de jun. de 20204 min de leitura


o legado do Queiroz
Philip Roth nos leva a Saul Below. Este me leva a um de seus livros chamado "O Legado de Humboldt". Passo desesperada e freneticamente a procurá-lo pelas minhas estantes. Não o vejo na primeira bisbilhotada. Suas folhas estavam gastas por três leituras no máximo. A capa é dura. Nela havia uma ponte e um homem. Um tom cinza e uma vista melancolicamente perigosa contrastando com as letras garrafais do título. Abro uma primeira vez mas não o leio. Reviro algum tempo depois o
13 de jun. de 20204 min de leitura


três mil ducados
Não pretendo nem me atrevo a indagar a razão pela qual Roth e eu nos conhecemos só agora. A prova viva de que todos os escritores são imortais para aqueles que achem os seus escritos. Eu retirei do blog todos os meus contos ligados à segunda guerra e ao pequeno Vilarejo ao Sul do Brasil e os trabalho para concluir um livro. Fui escolhido pelo Roth justamente agora.
6 de jun. de 20204 min de leitura


o método e não o todo...
É interessante ouvir os poliglotas contando como aprenderam diversos idiomas. Eu os admiro. Mais interessante ainda é perceber que não há um método único dentre eles. Praticamente todos aprenderam de um jeito diferente. Lógico que algumas dicas são praticamente consenso: aprenda errando, se exponha ao máximo, utilize um só livro ou app por vez, encontre um jeito divertido de aprender, comemore as pequenas conquistas e revise pouco mas diariamente o idioma da vez. São vári
30 de mai. de 20203 min de leitura
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