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... apenas abro as janelas do tempo e deixo o verbo falar...
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outras passagens
Assim que terminei de escolher as velas coloridas no Mironga dei-me conta de que o homem que chegara esbaforido não mais estava na loja. - Escute, aquele homem que chegou aqui dizendo que sua mulher teria lhe lançado um feitiço, o que aconteceu? - Olhe, ele é de São Paulo, está aqui há dois dias, disse que a macumba teria saído desta cidade. Falei para ele ir até o terreiro que frequento aos sábados. - Entendo, você pode me passar o endereço? E assim eu saí do Mirong
14 de mar. de 20202 min de leitura


no Mironga...
Estava quase findando o dia no computador quando tirei os olhos da tela e senti o baque. Pretejou. Esverdeou. Turvou. Como se tivessem desligado a minha energia; ombros pesados e olhos semicerrados. Um instante de apagão. Sumiu e voltou. Como num piscar de olhos. Catimba. Macumba. Só pode ser trabalho. Vira e mexe é preciso fechar o corpo; não adianta. Depois disso, já na rua lembrei de comprar incenso para defumar o ambiente quando chegasse em casa. Parei no Mironga;
6 de mar. de 20202 min de leitura


Jacob Beam e os Marchetti...
Aquietou-se a noite desta sexta-feira. Alegrou-me saber hoje que a baixola, minha filha mais nova, escolheu Carla Bruni para fazer um cartaz nas aulas de música. Não pela Carla. Nem porque a ouço. Por confirmar que as músicas de viagem são memoráveis. A professora lhe pediu algo diferente; diversidade. E assim foi logo me contando a novidade. Duas coleções de músicas jamais deveriam sair de nossas cabeças: transas e viagens memoráveis. As da primeira categoria para que
28 de fev. de 20203 min de leitura


se foi
Eu não achei que fosse me esquecer do sábado. Ele nunca foi assim mais importante do que o domingo, eu sei. É que o domingo já nasce nobre. Já nasce rei. Já nasce como o dia do descanso; do almoço e do retiro. O sábado é o coringa. O sábado mesmo é quem usamos pela conveniência e oportunidade. Pode ser feijoada ou empreitada. Devo-lhes dizer que não estou no sábado. Estou numa sexta-feira pré-carnaval. Estou à sexta-feira. Ou, para os que eventualmente objetem o empreg
22 de fev. de 20202 min de leitura


São Paulo
Lembro-me de ler de pé em ônibus e metrôs. De voltar da escola com os amigos e escorregar pelas laterais das escadas rolantes antes de colocarem os pinos de antiescorrega. De deixar a mochila escorregar pelas laterais antes de colocarem os mesmos pinos. De comprar doces de ambulantes, de parar nas bancas de jornais e livrarias. De dar lugar aos mais velhos. De dormir e deixar o ponto passar. De ouvir notícias sobre o trânsito a caminho do Colégio. De pegar trânsito na ida p
2 de fev. de 20202 min de leitura


com licença, o Sr. poderia...?
Estava no caixa de uma papelaria e uma moça me perguntou se eu era advogado. - Sim, sou. - Posso te fazer uma pergunta? - Sim. - Sabe o que é? Meu neto não vê o pai há muito tempo e vive agora com seu padrasto e minha filha. Ele queria tirar o nome do pai biológico e colocar o nome de seu padrasto. - Que idade ele tem? - Tem 17 anos. Expliquei rapidamente o que eu pensava, falei do prazo, perguntei se havia algo mais além do abandono afetivo e material, desaco
18 de jan. de 20202 min de leitura


o pau do seu Zé da Geribá!
Encostou do meu lado na barraca da praia e começamos a conversar. Seu Zé é vendedor de sorvete há mais de quarenta anos na praia de Geribá, Búzios, Rio de Janeiro. -Não, o açaí não atrapalha a venda do sorvete não, tem espaço pra todo mundo. O que mais mudou foi a quantidade de sorvete que compravam e o preço. Eu encostava nas barracas e o pai saía comprando sorvete pra todo mundo sem nem perguntar o preço, oito, dez, todos repetiam! Ali mora o Sr. tal, depois o Sr. fulano
11 de jan. de 20203 min de leitura


bora Geribá!
Não me lembro se quando era pequeno estava num lugar pensando noutro. Mais precisamente numa praia pensando noutra. Estávamos na Praia de João Fernandes, Búzios, Rio de Janeiro, Brasil, e algumas crianças queriam estar na praia de Geribá. Estávamos na Praia da Tartaruga e, novamente, crianças só pensavam em Geribá. Só não pediram Geribá durante o passeio de barco pelas águas de Arraial do Cabo, nas lindas águas da Praia do Farol, nas gélidas águas do Pontal do Atalaia. Hoj
7 de jan. de 20202 min de leitura


a montanha mágica
Noutro restaurante experimentei uma pimenta ao azeite feito por um Pernambucano radicado há mais de dez anos nas montanhas verdes. A dica: dez por cento de cachaça no azeite; dedo da moça cortada grosseiramente. As montanhas além de verde são mágicas.
29 de dez. de 20192 min de leitura


O Brasil por aí...
Ainda não foi lido o livro de Daniel Piza sobre Machado de Assis. Aqui ao lado esperando a sua hora. Mas lembrei dele hoje, do Piza; que se foi antes da hora, repentinamente. Fazem falta seus textos no Estadão quando ainda o lia. Ler sistematicamente o jornal é passar pelas notícias, pegar o essencial, e seguir desde logo para os colunistas. Numa delas, lembro-me sem o google, nos contava sobre a capacidade que temos de mudar de humor inesperadamente. Ele dirigia para o t
22 de dez. de 20192 min de leitura


dá licença...posso falar?
Eu já sabia do caso mas não em detalhes. O rapaz, novo, está com um tumor no cérebro. Algumas semanas se passaram e o plano de saúde avalia se autoriza a cirurgia; provavelmente robótica. Eu sou um convidado ligeiramente distante no churrasco. Limito-me às intervenções necessárias. Fui convidado meio que por educação. Ouço ao lado a discussão. Resisto a me intrometer na primeira vontade. A conversa segue. O rapaz, outrora altivo e certeiro, fala pausado e aéreo. Sua namor
20 de dez. de 20192 min de leitura


tudo pode ser roubado
Pai, tenho duas novidades. Qual você quer que eu conte primeiro, a boa ou a não tão boa? "Deixo" vê se entendi. Você tem duas novidades. Nenhuma é ruim. As duas são boas, mas uma é melhor que a outra? Uma é boa e a outra é ótima. Isso pai, qual você quer ouvir primeiro? Eu quero ouvir a boa primeira e depois a ótima! Uma delas foi o livro que ela comprou, com o título acima, e logo me contou do que se tratava. Ler um livro indicado ou obrigado pela Escola é uma coisa; esco
13 de dez. de 20192 min de leitura


Eita Brasil bom danado!
O Sábado avança pela tarde sem crônica postada, quando enfim me sento a cumprir este meio-ofício. A falta de assunto asfixia a crônica. O excesso afoga. Desde que voltei de Aracaju não havia dúvida sobre o que queria escrever: Luiz Gonzaga. A minha paixão pela sua música, sua trajetória de Rei do Baião e a vontade de ressaltar a genialidade da música nordestino-brasileira acabaram por me inibir. Lembro de um amigo meu.... desapresse o tesão antes que ele se apresse. Eu pen
16 de nov. de 20192 min de leitura


starry, starry night
Nem pensei muito. Peguei o zap e mandei um áudio para o Garcino. Por razões que desconheço achei que ele fosse saber o nome da música. Na verdade eu liguei antes; logo, porém, me dei conta de que era uma e pouco da manhã. Eu precisava lembrar o nome da música naquele momento; também por razões que desconheço encanei com a música naquela noite. Bom, nem tão aleatório assim o motivo. Fui conhecer o Albero, restaurante italiano recém-inaugurado em Limeira. Enquanto conversav
12 de nov. de 20192 min de leitura


Piauí
Não sei se o texto vai ou não para a Piauí. Não devo ter leitores por lá; tampouco Acre, Rondônia, Macapá e Maranhão. Já algum tempo deixei de ver as estatísticas deles, já considero dever cumprido o texto posto; postado. A criatividade é inversamente proporcional ao estresse havido na semana, eis que só hoje no sábado à tarde é que me sossego a escrever. Como nos consome o Brasil, como nos consome a empreitada de fazer dinheiro apesar de tantas Brasílias cruzando as nossa
3 de nov. de 20192 min de leitura
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