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... apenas abro as janelas do tempo e deixo o verbo falar...
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a panela de ferro
Filhas, dei-me conta na manhã de ontem que minhas panelas de ferro vão me enterrar. Bom, vocês entenderam. Elas viverão dezenas ou centenas de anos além de mim. Elas viverão dezenas de anos, talvez centenas, além de vocês. Os homens criam as coisas e depois as coisas os enterram, às vezes as coisas até os matam. Eu sinceramente não espero que a minha panela de ferro tenha algo a ver como meu o fim. No máximo pelo bacon que fritou, pelo sal que acomodou deliciosamente por vári
27 de out. de 20193 min de leitura


Maristela
Não foi à toa que os italianos vieram para o Brasil. Deixavam uma Itália precária; extremamente pobre. Sem comida e sem trabalho. Num navio a vapor e com pouca bagagem mais de 1,5 milhão por aqui aportaram entre 1896/1914. Meu bisavô chegou em 1906, no meio do boom . Há por aqui uns trinta milhões de descendentes de italianos. Vieram principalmente para Sul e Sudeste. E, depois de um perrengue lascado, nos brindaram com pizza, vinhos e massas. Não foi fácil. Muitos ch
2 de ago. de 20192 min de leitura


há um tesão que te aguarda...
Volto à fase de vésperas. A sexta-feira chega sem nem me avisar. Semanas que nos trespassam como se quisessem alcançar a sua linha de chegada; como se competissem entre si. O tempo que por vezes te declara guerra; mira a tal nível de independência como se fosse possível existir sem os homens. É, se esquece o tempo quem foi seu algoz maior, o homem, o seu próprio criador; e vive há milhões de anos em segundos a desconcertar o homem infinitamente. Houve um dia em que desco
6 de jul. de 20192 min de leitura


...paguem, pais, os teus pecados!
O slime foi inventado com o único propósito de aterrorizar os pais. Mais. Para que paguem, adultos, todas as suas travessuras grave e dolosamente cometidas quando crianças. Mais. É o melhor medidor de paciência dos pais e do limite que estamos dando às nossas crianças. Estávamos no Roper numa roda. Pais. Mães. Pães. Até que alguém, não lembro como, nem o contexto, mencionou essa palavra. Com ódio. Eu respirei aliviado. Não era então o único a ter declarado guerra a
29 de dez. de 20182 min de leitura


para revisão
Quando o blog completou um ano decidi renovar contrato por mais um ano, ou seja até vinte de outubro de 2019. Mas é agora ao final do ano calendário que torno pública uma reflexão. As crônicas perderam força; muita força, engajamento para usar uma palavra atual. As redes sociais ocuparam o seu espaço. São mais radiantes. Ler sobre aspectos pessoais do cotidiano se tornou entendiante diante de fotos e comentários instantâneos. Dois fatores me animaram a prosseguir. Através
1 de dez. de 20182 min de leitura


...como eu poderia saber...?!
Como? Como eu poderia saber quando meu pai morreria, minhas filhas nasceriam e que a receita de pão falharia? Como? Que a minha vista seria de prédios e de montanhas, que o Morro Azul da adolescência sempre foi verde. Que eu jamais veria minha coleção de Comandos em Ação novamente e que a bola da infância, verde, branca e furada, sumiria depois de tanto rolar. Como? Que depois de jogar futebol, de quadra, de campo, de areia, eu jamais me machucaria e nunca seria
17 de nov. de 20182 min de leitura


a minha garagem do Diabo...
Há algumas verdades pelos ares que se tornaram verdades só pelos ares. Ares, mares, um mundo estelar que nos chega de longe e de repente nos vemos repetindo sem pensar muito. Sem refletir demais. E assim se tornam oxigênio. Por sobrevivência, a todo dia, a todo instante. Verdades que se postam e se arrastam até que dá preguiça de refutá-las. Não estamos mesmo, nunca, preparados para a morte? A minha avó me disse que não tinha medo de morrer, eu entreguei na mão de Deus, E
8 de set. de 20183 min de leitura


o pé de maçã de Biro´s Mansion
Caro pé de maçã, permita-me falar diretamente contigo e de certa forma não seguir muito à risca os critérios para merecer estar plantado aí ao seu lado. Nós não nos conhecemos ainda, mas como eu sou um brasileiro latino americano e você um inglês pé de maçã, apresento-me formalmente como Carlos Camacho - um velho amigo da Carol; desde os bancos escolares. Foi ela quem descobriu que eu precisava usar óculos. Esse fato me credencia a escrever-lhe, porque amigo da Carol é
18 de ago. de 20183 min de leitura


a casa tutti bene
Fomos assistir no Espaço Itaú Fortunata , A casa tutti bene e La ragazza nella nebbia ; todos do festival italiano de cinema. Ali em dois quarteirões da Rua Augusta é possível encarar uma sequência de filmes, tomar um vinho e comer bruschettas ou tapas; no Athenas e Sancho respectivamente. Dois bares no quarteirão seguinte em direção ao centro. O Sancho além de cerveja que leva o nome do bar tem uma garrafa de tempranillo a sessenta e tantos Reais. Lógico que vocês sabem
11 de ago. de 20183 min de leitura


...poxa Brandão!
Brandão, dá um tempo! É você, o Ignácio. O Loyola, o Brandão! Que se entregava às sessões de cinema nas tardes de Araraquara. O bom de ser cronista desconhecido é que eu posso puxar a tua orelha e você não saberá nunca, posso reclamar à vontade que, estatisticamente, a chance de você me ler é remotíssima. Já não me bastassem trabalho, família e as coisas do cotidiano, fui me meter nessa encrenca que é escrever crônica. Culpa tua. Primeiro eu lia as tuas no Estadão e depoi
7 de jul. de 20183 min de leitura


...é pra lá que eu vou.
Vou me mudar para o mundo da fantasia. Um mês. Não mais do que isso. Eu volto. Devo voltar. Ando avesso. O povo brasileiro, os clientes choramingões e a crise política na Itália; na Espanha. Há um tédio intrínseco nesta cidadela; onde A. J. Cronin começaria um de seus romances modernos narrando a difícil trajetória de um ativista disposto a mudar uma sociedade corrupta. Vou me mudar para o mundo mágico; não de repente. Tomo os patins de Fred Astaire emprestados e d
30 de jun. de 20183 min de leitura


- caldinho de Sururu?
Praia de Carneiros, Recife, Brasil, abril de 2018. Felipe e Renan descem logo pela manhã de barco, saídos de Rio Formoso, a cidade, pelo Rio Formoso, o rio, com seu barco puxando uma jangada. Espetinhos. Caldinhos do chef João: feijão e sururu. Skol e Itaipava a R$ 5.00. Três por R$ 12,00. Uma hora depois chegam na Praia de Guadalupe e ali param, proprietário deixou que ficássemos, só limpar tudo. Na outra margem já é Praia de Carneiros. Chegamos de barco, e logo vêm as moça
12 de mai. de 20183 min de leitura
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