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Vaffanculo 2020!

  • Foto do escritor: Carlos Camacho
    Carlos Camacho
  • 4 de dez. de 2020
  • 3 min de leitura


Olívia, algo me diz que você está aprontando algo. Andou perguntando qual seria o nome de um eventual livro de crônicas minhas reunidas e me fez prometer que escreveria neste Sábado; tudo com aquele jeito maroto e sorriso malandro. Estava eu nesta semana e recebo no meio do dia uma notificação do site sobre o comentário feito na página: fantástico. Comentei com ela, Olívia, e ela caiu na gargalhada.


– Fui eu pai.


Definitivamente você apronta algo. Tirei férias do blog mesmo. Um mês. É a segunda onda, sabe. No último dia 30 de outubro o blog de crônicas fez 3 anos; uma crônica por sábado. Raríssimas vezes deixei acumular algum sábado e, logo depois, as escrevia distribuindo uma para cada Sábado sem postagem. Pensei em dar exemplo, mas acho que não precisa, né? Tive uma primeira onda que fiquei 3 sábados sem escrever e aí fiz um resumão, tipo um apanhado de crônicas numa só. Tantas crônicas quantos fossem os meus Sábados. Esse era o meu contrato comigo mesmo. Ele vence sempre em outubro e preciso decidir se me convém a renovação por mais doze meses.


Os contratos mais difíceis de cumprir são esses que fazemos internamente. Conosco mesmos (depois veja a gramática e me diga se esta expressão está certa do ponto de vista formal). Renovei em 2018. Idem em 2019. 2020 foi um ano difícil. Vi um post nas redes sociais em que uma casa na Itália em vez de escrever Feliz 2021 escreveu vaffanculo 2020! Nada mais apropriado. Nada como os italianos dizendo o que pensam com o seu peculiar jeitinho. Aí resolvi dar um tempo de um mês, as ideias já não vinham galopantes e eu cansei de contar histórias.


Por vezes eu me canso de mim mesmo, já teve essa sensação?


Conciliar com o stress também foi um desafio. Uma pedra no meio do caminho. Então eu deixei o blog quieto; como a xícara de café quente pela manhã que espero dar a temperatura ideal para beber. Algumas pessoas até me perguntaram cadê as crônicas, parou? Nesse ínterim a outra filha leu em sala de classe a crônica que fiz para os alunos do CLQ, foi bem legal, essa Baixola arrebenta mesmo! Não é? Agora você quis que eu escrevesse a deste Sábado.


Talvez seja algum sinal de que eu deva renovar por mais um ano. Minha amiga Pat, aquela que passamos uma semana em Camburizinho, mãe do Vitor e do Gu, está fazendo mandalas (foto da capa) e se propôs a fazer uma por semana. Dia desses comentou...nossa, é difícil manter este ritmo. Dei risada.


É o tempo que desafia a disciplina. É a água teimosa e prolongada que desbasta a pedra. Lembra quando andávamos pelas pedras ao lado da Praia, essa mesma de Camburi? Já imaginou a quantidade de vezes que aquela água avança aparentemente em vão? Até que um dia, desbastada, uma delas rola pra baixo e rearranja a desordem natural das coisas.


Aliás, temos uma pedra escondida ali, 10 anos depois será em 2027. Vou roubar um pouco e escrever uma poesia muito famosa para terminar, de um poeta cujo primeiro nome é lindo: Carlos! Mas não só: Drummond. Mas não só: de Andrade. E, assim, está paga a minha promessa de escrever a crônica deste Sábado. Mas que você está aprontando algo, ah, isto está! Ei-la:


No meio do caminho tinha uma pedra

tinha uma pedra no meio do caminho

tinha uma pedra

no meio do caminho tinha uma pedra.


Nunca me esquecerei desse acontecimento

na vida de minhas retinas tão fatigadas.

Nunca me esquecerei que no meio do caminho

tinha uma pedra

tinha uma pedra no meio do caminho

no meio do caminho tinha uma pedra.


(te amo filha, quase como as minhas panelas de ferro)

 
 
 

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