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senza grattugia

  • Foto do escritor: Carlos Camacho
    Carlos Camacho
  • 17 de jan.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 22 de jan.

Chega de crônica sobre estátuas, pinturas e castelos.


Nada de cenário-instagram onde tudo parece fantástico.


Negócio é falar de imprevisto. De aporrinhações.


Vamos ajustar o fantástico para o real.


A minha filha mais nova levou quase uma semana para se adaptar com o fuso e com a gastronomia. Nunca fui tanto à Farmácia aqui na Itália; saber o que se pode comprar sem receita e descobrir quais são os similares tornou-se o meu café. Lógico que com o auxílio médico do Alex, mais conhecido por Dr. Alexander Anderson. Saibam que ele tem sobrenome Pessoa também; a sua vocação para a Medicina sempre me fascinou. Admirável. Eu gosto de conviver com pessoas que alinharam cosmicamente o pessoal com o profissional. Costumam ser mais leves e interessantes.


Deixar o Airbnb em ordem não é fácil. O lixo há de ser separado para reciclagem, há horários para colocar nos pontos de coleta. Nalgumas cidades nos dias certos. Para o orgânico, algumas exigem cartões para abertura da caçamba. É preciso saber os locais mais próximos.


Em Bologna, no último dia, de tanta chuva, água começou a gotejar pelo teto do canto do meu quarto; longe da cama. Apartamento reformado, fora de suspeita. Dormi como um rei depois de tanto andar; sobretudo para a farmácia. Num dos dias era meia-noite e a única aberta ficava a 1 km de onde estávamos.


Em Pisa, num dia mal planejado, pagamos 4 euros por um café que custa de 1,3 a 1,5. Sentar custa mais caro e você deve esperar para ser atendido.


Em Firenze, o mercado ficava a 1,6 km do Airbnb. Uma jornada para voltar com sacola cheia. O apartamento era bem espaçoso mas não havia faca de cortar pão. Pedi ao proprietário. No dia seguinte ele a deixou numa sacola na maçaneta; estávamos em Pisa. Quando chegamos no final do dia a faca não estava lá. Ele providenciou outra e desta vez deixou dentro do apartamento.


Saímos pouco à noite para jantar. Cozinha bem equipada faz a diferença.


Em Brescia não havia ralador de parmesão. Sim, acreditem. No primeiro dia caiu a energia. Máquina de lavar louça, aquecedores e televisão não podiam ser ligados simultaneamente. Descobri que há limite na Itália para consumo por unidade e o disjuntor cai; conforme o plano contratado pela maioria dos apartamentos. Depois de três quedas aprendi a equacionar o sistema. O boiler de 100 litros para três pessoas é pouco para o banho brasileiro. Dois ficaram sem água quente na primeira ducha. Resolvido depois que as demoradas foram espaçadas ao longo do dia; sobretudo aquelas de lavar o cabelo.


Pegamos greve dos ferroviários. Como ir de Brescia a Milão? Agência para locação de veículos fechada. Eu, 5 malas e três mochilas; a estação um caos. Os trens e as estações da Suiça são muito melhores quando comparadas à Itália. Para seguir a programação, com tudo reservado, uma pequena fortuna de táxi e um bom bate papo na estrada resolveram.


Minhas filhas não tiveram o interesse pelos Museus e aspectos históricos que eu imaginava. Ah, mas as lojas de cosméticos sabiam até os produtos que estavam em promoção. Viajar é sempre descobrir. Na fortaleza de Scaligero di Sirmione, em Desenzano, o interesse se destacou; nunca tinham visto nada similar.


Apaixonaram-se pela comida mais do que eu esperava.


Tomei enquadro da Guarda di Finanza na estação de Domodossola; a última cidade italiana antes da fronteira com a Suiça. Enquadro mesmo; esta é a palavra. Detalhes não cabem nesta crônica; numa próxima a pedidos talvez.


Eu me supreendi com os alpes Suiços; Grindelwald e Zermatt. Embasbacado enquanto o trem passava entre as montanhas. Houve dias que a exaustão de trem, frio e malas nos derrubava; tudo o que queríamos era pizza, cama e filme. Numa das conexões de trem na Suiça, um Sábado, de tanta gente que se desloca para esquiar, quase não conseguimos sair do trem. Tive que pedir em voz alta - muito alta - para darem licença. As pessoas nos ajudaram a levar as malas para fora até que todos conseguissem descer.


Escrevo de Milão com gripe suiça.


É igual à gripe brasileira.

Lógico que 30 dias zanzando foi um disparate.


Não maior do que uma cozinha senza grattugia.


Fracasso miseravelmente toda vez que tento levar uma vida ordinária.






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