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Vacas, galinhas e pinhões...

  • Foto do escritor: Carlos Camacho
    Carlos Camacho
  • 9 de abr. de 2021
  • 2 min de leitura


Voltei para a roça em Gonçalves. As crianças fizeram aula online e eu trabalhei normalmente. Onde estamos não tem sinal de celular, mas com internet rural não há isolamento absoluto. Estar na roça e conectado nos permite uma rotina diferente. De manhã é possível andar pelas estradas de terra, pegar pinhão e ovo fresco do galinheiro.


Eu sou um homem da cidade cuja cabeça não sai do campo.


Confinamento é chato; piora se o espaço de circulação é pequeno. Piora ainda mais se estiver em apartamento. Complica ainda mais se as áreas comuns estiverem interditadas. Só pelo começo da crônica já percebi que estou um pouco travado. Em débito com umas 3 crônicas com o site, leia-se, em débito comigo mesmo, é possível perceber como de fato é o hábito que faz o monge. A crônica que se inicia descritiva é a dica para que se entenda que ela começa sem assunto para que aos poucos algo vá aparecendo que seja minimamente interessante.


Eu também estou com preguiça para criar, de modo que nesta crônica basicamente eu vou pontuar alguns aprendizados da roça. A galinha não depende do galo para botar ovos. Num galinheiro de vinte galinhas, você precisa de dois galos e eles as fecundam diária e incessantemente. Algo a ver com a expressão pejorativa que chamava de galinhas as moças dadas. Se o ovo estiver fecundado, é preciso tirá-lo em até dois dias da mãe chocadeira. Acaso contrário não é possível mais fritar o ovo. O interessante é que sai ovo pra dedéu. Umas vinte galinhas produzem em média uns 6 ovos por dia.


Para se ter leite durante o ano todo o ideal é ter dois bois e vinte vacas. Um touro e dez vacas já garantem uma boa produção de leite. Quando o bezerro nasce, das quatro tetas da vaca ele só fica com uma. As outras três são para nós. Temos três vezes mais tetas do que o bezerro. Até porque, se ele tomar todo o leite provavelmente passará mal; piriri. Bezerro então é igual a peixe, você não pode por muita comida que eles comem até explodir. Foi um dos primeiros aprendizados quando criava Lebiste.


Na época a empolgação foi tamanha que chegamos meu irmão e eu a ter várias caixas d´água lotada deles. Numa noite a temperatura caiu bruscamente e não sobrou nenhum para contar história. Voltando para a vaca, a holandesa produz mais leite quando criada no plano. Voltando para as galinhas, há chocadeira artificial, com luz e aquecimento.


Ah, descobri também que minhas filhas são obcecadas por pinhão. O limão em abundância é o caipira, ótimo para marinar frango e costela. As galinhas nos despertam a partir das 5:16. Há algumas com sérios problemas biológicos que cacarejam por volta das 3:30. Mas o que mata mesmo é que galinha não tem snooze.


Por hoje é só. Eu preciso acender a churrasqueira e tomar uma dose de Amélia; ficar olhando para o mato enquanto a brisa esfria minha cabeça citadina.

 
 
 

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