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pastel e costelinhas; entre irmãos.

  • Foto do escritor: Carlos Camacho
    Carlos Camacho
  • há 7 horas
  • 2 min de leitura


Pra que servem os irmãos que nossos pais nos deram?


Acordei com essa reflexão depois que nós três, os irmãos, nos encontramos ontem no Bar do Edu em São Paulo. Só nós. Colocar o papo em dia e conversar sobre o que é aleatório, o que é indispensável e o que de hilário nos vem à lembrança sobre nossos pais, de nossas vidas. Tudo na mesma família. O mesmo caldeirão que cozinha personalidades únicas.


Mérito do Luiz, o mais velho. Insistiu até o ponto de fusão.


A vida é especialista em atropelar as relações todas. Um compromisso após o outro. Trabalho, filhos e a rotina que silenciosamente nos distancia das boas conversas que deixamos para a semana que vem. É muito baixo, como diz Gonzaga em suas músicas falando do velho Januário, seu pai; que tocava a sanfona com oito baixos. Eu adotei a expressão para enfatizar tudo que é excessivo. No caso, a rotina grave que abafa os agudos de algumas horas de conversa solta.


Não escolhemos os nossos irmãos. Como nossos pais.


Pra que servem nossos irmãos que nossos pais nos deram?


Atribuir uma finalidade egoística de que eles precisem ter alguma utilidade talvez seja o equívoco da pergunta que inicia a crônica. O melhor enfoque talvez seja perguntar sobre o sentido de termos irmãos. Sei, Caim matou Abel. Já vi irmãos se acabarem por causa de dinheiro. Por ciúmes. Irmãos se agridem. Não é uma dádiva absoluta.


Mas há de ser uma graça absoluta.


Somos diferentes. Minha irmã sempre foi a preferida do meu pai. Meu irmão o preferido da minha mãe. Eu? Ali no meio para dar algum equilíbrio entre os excessos.


Nossos pais nunca tiveram um projeto especial, um desejo de que nos déssemos bem. Simplesmente aconteceu. Esse se dar bem não é concorcar sempre. É apoio. Não qualquer um. Incondicional. Um bom irmão é ouvinte incansável. Para quem ligamos na dor. Quando conquistamos algo. O verdadeiro irmão não sente inveja. Grita junto. Um bom irmão não deixa que diferenças políticas falem mais alto. O verdadeiro irmão, bom, ele dá um passo além do que todos dariam.


A porção que pedimos no bar ilustra. Meu irmão abre o cardápio. Unanimidade: não queremos feijoada. Calor. Eu pediria alguma suína. Meu irmão alerta sobre o pastel, o espeto. - Adoro pastel, minha irmã não deixa passar. Concordo com pastel pensando no espeto. Costelinha e pastel para salgar as cervejas geladas. Aqui e ali, ajustamos e temos a porção.


Não falamos 10% de tudo que tínhamos à disposição. Percebo que alguns assuntos importantes passsaram-me despercebidos enquanto a rotina de cada um nos impulsiona. Reflito. Passou tempo demais e eu alienado. Um alerta para que eu me lembre mais da família. Seis horas se passaram sem que eu percebesse que já era hora da saidera. O passado comum volta intenso.


Um bom irmão encontra tempo para conversa de irmãos.


Um bom irmão, bom, um bom irmão passa a receita do molho especial que só ele sabe fazer. Um bom irmão dá um bom e gostoso abraço quando chega; quando vai.


Um bom irmão nos abraça como nossos pais.


Sem hipocrisia, um bom irmão paga a nossa conta.




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