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-Filho, pegou o casaco?

Foto do escritor: Carlos Camacho
Carlos Camacho
10 de mai.
2 min de leitura

-Filho, pegou o casaco?


Essa frase é a que melhor as define. Parabéns a todas as mães pela grande jornada. Estou ligando para a minha desde manhã e ela não atende. Ela é do tipo independente, não me liga com frequência pedindo para visitá-la. Vez ou outra diz que está com saudades. Justo, educou seus filhos para o mundo. Tem uma semana agitada. Hidro, dança e netos pra lá e pra cá. Sua última viagem foi pra Patagônia.


O que ela gosta mesmo é de tirar fotos conosco e dizer que seus filhos são ótimos. Liguei há pouco novamente e ela não me atendeu. Também não respondeu ao meu irmão. Justo, educou seus filhos para o mundo. Não como projeto pessoal; exclusivamente. Eu ainda preciso falar com ela para lhe dar um parabéns. Às vezes acho que sou um filho um pouco desnaturado. Não ligo com muita frequência. Não a vejo com tanta frequência.


Quando estudava no Santo Américo, lá pelos meus nove, ela foi chamada à Diretoria porque eu ousei questionar a professora de religião. Léa era o nome da diretora. - Seu filho questionou a professora de religião. - Sim, eduquei meus filhos para ter uma postura, digamos, contestadora. Ela não usou a palavra digamos mas o sentido foi esse.


A minha mãe não atende o telefone.


Com certeza não acordou esperando que os filhos ligassem logo na primeira hora para lhe dar parabéns. Também não atendeu o meu irmão. Justo, educou seus filhos para o mundo. Tenho quase certeza de que ela almoçará com a minha irmã. Não é da geração celular. Usa o telefone para ligações mesmo e mandar foto de suas viagens para o grupo da família Marchetti.


Bom, ela manda foto quase todo domingo - Estou rezando por nós. Eu preciso fazer a farofa do churrasco, depois volto para a crônica e ligarei novamente para a minha mãe. Espero que ela atenda.


Pronto.


A farofa, fiz com a farinha de milho Faria, de Caldas, MG, é realmente a melhor do mundo. Seca. Fresca. Saborosa. Intensa. Incrível. Jamais passem por lá sem levar alguns pacotes para casa. Liguei novamente para minha mãe. Nada. Alguns minutos, ela retorna.


-Filho, estou aqui na Marisa com a tua irmã, meu celular estava no silencioso.

-Mãe, estou te ligando desde cedo pra te dar parabéns!

Ela muda de assunto. Eu ouço e falamos um pouco sobre assuntos variados que não a sua missão como mãe. Eu ainda não havia dito o que queria. Um espaço e encaixo:


-Mãe, obrigado pela sua jornada, você cumpriu maravilhosamente bem o seu papel de mãe. Te amo!


Pareceu-me que ela se emocionou. Depois eu confirmo com a minha irmã. Beijos e desligamos. Ligou depois por vídeo com a prole completa. - Vocês são minhas três joias. Furtadas, mãe. Somos joias que a vida subtraiu para si, essa mesma que você nos preparou.


Mãe, você é tão especial como a farinha de milho Faria de Caldas.


Única.




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