top of page

o mistério da economia

  • Foto do escritor: Carlos Camacho
    Carlos Camacho
  • há 2 dias
  • 2 min de leitura

A crônica de hoje é um exercício de economia.

Explicar-se demais. Falar demais. Dizer sem acreditar que as palavras lançadas não retornam jamais; a água da chuva depois que cai no rio é água do rio, não de chuva. Discurso fazemos no palco; não na mesa. Aprender a calar a boca é a verdadeira arte da sabedoria. Muitos idiotas se afundam porque acreditam que tudo precisa ser dito a todo tempo. Que nossas ideias precisem ser invariavelmente expostas na crença inabalável de que sejam melhores do que o silêncio.


Cale a boca. Aprenda a calar a boca.


Viu? Grosseiro? Pois é; está dito. Quem sou eu para dizer que alguém deva calar a boca, para te lembrar, para eu não me esquecer, que por vezes dizemos mais do que o necessário? É interessante como descrevemos as pessoas pelo tanto que falam. Ah, isso, aquilo, fala demais. É assim, assado, mas de poucas palavras. Tão simples assim, somos o que falamos. Ou o que deixamos de falar. Na exata medida da nossa comunicação.

Um dia eu aprendi que o silêncio também é resposta.

Paz.

Um dia eu aprendi a calar a boca.

Desafio.


Tomemos um ótimo exemplo. Meu amigo Edson. Curiosamente, conversamos ontem. Ele perguntou pela crônica de sábado. Bom Edson, passei a escrever aos domingos e, a propósito, o assunto me lembrou de você. Como sempre, eu falei mais do que ele. Nos damos muito bem assim. Nossa amizade começou por causa de uma Kombi. Mas é assunto pra outro dia. Quando estava pensando sobre a crônica ele foi a primeira pessoa que me veio à mente. É a expressão perfeita do necessário. Pus-me a pensar nas pessoas que falam mais do que o necessário, daquelas que a meu juízo limitam-se ao necessário e as que dizem sempre menos do que o necessário.


Dizer menos do que é necessário é mesmo uma regra poderosa?


Sei que são coisas estritamente distintas. É possível falar demais e saber o momento de calar a boca. Falar pouco e intervir quando necessário. São lados diferentes da mesma moeda, invertendo-se tão somente o desafio. Nem sempre é possível calar a boca. Nem sempre você precisa abrir a boca para falar besteira.


Edson, a expressão perfeita do necessário. Ficou muito boa essa frase. Lembrem dele vez ou outra; padrão Edson de comunicação. Bom, a seguir a lógica da boa crônica, eu deveria dar exemplos históricos, ou de minha vida, de quem falou menos ou mais do que deveria.


Não é necessário.


Quando comecei a escrever a de hoje cheguei a pensar que a crônica perfeita sobre o assunto seria algo como


Diga menos do que o necessário, acabou a crônica.

Vá fazer o almoço.


Seria menos do que o necessário.


Logo mudei o exercício.


Toda vez que escrevo envio a crônica para algumas dezenas de pessoas, umas lêem, outras não. Certamente há os que já me arquivaram no whats. Assim, desta vez não compartilharei a crônica com ninguém, melhor, enviarei somente para uma pessoa como exercício do padrão Edson de comunicação.


Duas, vai. Sem contar o Edson.








Comentários


@2025 - Todos os Direitos Reservados - ANTES QUE EU ME ESQUEÇA - CRÔNICAS E ESCRITAS - From WWEBDigital

bottom of page