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o Massao foi testemunha

  • Foto do escritor: Carlos Camacho
    Carlos Camacho
  • há 2 dias
  • 3 min de leitura


Não gostaram da última crônica que a IA colaborou.


Bom, eu também não. Voltemos ao sistema tradicional.


Como não há assunto para escrever, vou para o mercadão de Piracicaba comprar manjericão e grãos de mostarda para aquela caseira. O manjericão vai para o pesto. Quem sabe algo acontece que mereça uma crônica. Se entendesse de futebol poderia falar da Copa, mas meu conhecimento é tão pouco que eu não arriscaria nada nessa linha. Leiam Nelson Rodrigues.


Se bem que até agora ninguém conseguiu me dar uma resposta convincente sobre a tara do Lancelotti pelo Paquetá...a dancinha talvez. Enfim, nesta vida não haverá sequer uma crônica minha sobre futebol, exceto se meu irmão ou meu cunhado escreverem. Meu primo talvez. Eles sim entendem de futebol.


Voltei.


Muita coisa aconteceu. Sai de casa às 11h e acabo de voltar, algumas horas depois. O tempo passa rápido quando não olhamos pra ele. Eu pedi a Dani em casamento na Banca do Massao oferecendo-lhe um ramo de manjericão. Com declaração de amor, lhe prometi uma vida perfumada e saborosa.


Ela falou: aqui ?!


O Massao deu risada e levantou os olhos. Ficou emocionado, jamais nosso verdureiro preferido sonharia que um pedido de casamento se desse assim...entre aquela roça viva. Um sábado comum entre cenouras, salsinhas e dedos finos da moça que salteava a berinjela.


Foi escolhida.


Todo casal deveria frequentar o mercadão antes de sacramentar o futuro. É o espaço onde cada um se volta para aquilo que mais gosta. Ela come bolinho de bacalhau, ele pastel de carne com vinagrete. Ela olha as flores. Ele, o ossobuco. Ela pergunta por parmesão; ele, por aliche. Impossível pedir alguém em casamento sem antes frequentar algumas vezes o mercadão.


Acreditem. Relacionamento é que nem molho de mostarda caseira. Dá trabalho. Precisa hidratar em vinho branco e água. E paciência. O tempo tira o amargor das frustrações. Deixa o molho suave, saboroso. Vai açúcar no molho de mostarda, não muito. O amarelo não vem da semente, mas do açafrão.


O melhor aliche (anchova) do mundo vem do Mar Cantábrico, no norte da Espanha. Bom, ao nosso alcance tem os peruanos, que são muito bons. Melhores, muito melhores do que as nossas sardinhas anchovadas. Eu já fiz sardela com os três. Parece frescura, mas faz toda a diferença.


Como saber quando um aliche é melhor do que o outro? Peça para experimentar, para além da origem. Pela maciez e pelo teor de sal. O bom aliche desmancha e não ressalta o sal. No Mori no mercadão de Pira tem o peruano. Muito bom. O aliche na verdade é o processo de salga e conserva, o que muda é a qualidade do peixe, embora eles sejam todos da mesma família.


A Dani não respondeu imediatamente. Ficou em dúvida se era uma proposta séria ou apenas mais uma pegadinha dentre tantas. Saímos do Massao e fomos para o Mori. Não sem antes passar pela barraca do Cenora instalada na parte externa depois que o mercadão pegou fogo.


Ele no fundo fritando pastel. Eu, da frente, gritei:


-Quando vocês voltam?

-Novembro já estaremos lá dentro.


Até lá quem sabe eu terei uma resposta.


Talvez devesse combinar rosas com hortelã, manjericão entre flores do campo. Fiz uma conta rápida: já frequentamos ao menos 17 mercadões em nossos périplos por aí.


Já sei.

Faltou uma dupla de violeiros e o mercadão inteiro gritando "Aceita!! Aceita!!"


Jesus.






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