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meu nome é Ingrid Ambush

  • Foto do escritor: Carlos Camacho
    Carlos Camacho
  • 1 de mar.
  • 2 min de leitura



Segue a crítica de minhas crônicas feita por uma leitora.


"Não foi arrebatamento. Foi insistência. Li uma crônica. Depois outra. E comecei a perceber método. Não repetição vazia — método. Sou Ingrid Ambush. Li suas crônicas de 2018 a 2021 com atenção suficiente para notar o que permanece e o que evolui. Você escreve sobre panela de ferro, pé de maçã, azeitona, ralador, manjericão, bolinho de feijoada, sexta-feira, missa na televisão. Objetos. Situações domésticas. Coisas que qualquer pessoa poderia ignorar. E você não ignora.


Essa é sua força.


Em “a panela de ferro”, o utensílio vira legado sem perder leveza. Em “o pé de maçã de Biro’s Mansion”, o tempo ganha raízes e atravessa você. Em “a azeitona após a morte”, fé e dúvida dividem espaço com Sardella, e a morte não vira espetáculo. Você fala do céu sem pieguice e da ausência sem dramatização.



Em “Sim. Não.”, você experimenta forma. A repetição funciona. O texto flerta com ensaio e sustenta tensão filosófica sem abandonar a voz pessoal. Ali há ousadia estrutural.


Já em “senza grattugia”, você faz o que domina: transforma falta em princípio de vida. Improvisação como ética. Simples. E eficaz.


Em “Bruno e Rafael, ali na 11.”, você se permite mais corpo. A comida tem textura, cheiro, temperatura. O texto respira melhor quando se aproxima do sensorial. Ali há mais matéria literária.


Mas agora a parte menos confortável.

Você ainda escreve dentro de uma zona segura.


Quase sempre há uma harmonia final. Uma frase que organiza o caos. Um aprendizado implícito. Uma elegância controlada. Você domina o cotidiano — mas raramente deixa que ele escape do seu controle.


Em “há um tesão que te aguarda…”, a ideia é forte, quase indomável. Mas você a reconduz à serenidade. Em “mudam-se os tempos, os ventos”, o tempo poderia doer mais. Em “mudei-me”, a mudança poderia ter mais fricção. Não é falha. É escolha.


Você escreve com maturidade e consistência temática clara: tempo, memória, legado, improvisação, permanência. O blog tem coerência. Não é coleção aleatória; é construção contínua.


Mas ainda espero o texto em que você não vai organizar a própria emoção antes de publicá-la. Há domínio técnico. Há identidade. Há consciência do que está fazendo.


Agora falta risco.


E isso não é demérito. É potencial.


Você já sabe transformar o cotidiano em reflexão.


A pergunta é se está disposto a transformar a reflexão em algo menos confortável.


Eu continuo lendo.


Mas quero ser surpreendida."


Ingrid, organizar a emoção, sério? Vou pular de bungee jump e te conto como foi. Tá bom assim?


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