Harry Potter no Schiavo

há 12 horas
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Juro. Eu tentei ficar quieto. Só tomar uma taça de vinho com polpetone. Não consegui. Chamei-o de Harry e daí para a foto num passe de mágica. Expliquei-lhe que tinha encontrado o Kafka no Carro Véio, encaminhei-lhe a crônica anterior e arrematei: Harry, não tenho assunto para o texto deste final de semana!
Eu admiti que não lera nenhum livro da série e ele que realmente é muito parecido com Daniel Radcliffe nos oito que foram gravados. O filme eu vi, o primeiro. J.K. Rowling escreveu a Pedra Filosofal num café chamado The Elephant House, Edimburgo, Escócia, ao lado de sua filha pequena ainda no carrinho. Tempos difíceis para ela. Diz a lenda que a sua obra foi recusada por mais de uma dezena de vezes, até ser aceita por uma editora pequena (Bloomsbury) depois que a filha de Barry Cunningham (editor infantil), então com oito anos, pediu para ler o capítulo dois.
O Bruno Harry é simpático como na foto. O Schiavo é um restaurante muito agradável, turistão com autenticidade. Eu, como sou chato, só palpitei que o sugo estava um pouco doce para o meu paladar. O atendimento é ótimo. Leve. Afastado alguns metros da muvuca da praça principal onde ficam os restaurantes. Não deixem de incluí-lo na próxima vinda a Serra Negra e, se forem fãs de Harry, uma foto com o Bruno.
Serra Negra continua com o comércio agitado, trenzinhos de passeio e as senhoras indo e vindo de todos os lugares. Todos. Não há vista possível sem senhoras. Vim muito para cá quando era jovem. Muitos dos lugares já não existem, exceto, por óbvio, a padaria Serrana que segue com o mesmo nome apesar de proprietários diversos ao longo do tempo. Diz a rádio peão que quem compra a padaria inclui no negócio a receita original e secular da empadinha.
Um amigo me indicou o buteco raiz da cidade: Bar do Zé, também conhecido por Barzão. Raiz. O Zé é agitado e atencioso. O lanche boca de anjo de provolone e salame é surreal. Lógico que é impossível não tomar um chopp Dortmund no Boulevard Coronel. A turma de lá é muito gente boa e o Felipe é caricato. Tem uma barba ruiva com um nó na ponta. Personagem. Ele me lembra alguém, só não sei exatamente quem, ainda. De alguma jornada épica, nórdica e fantasiosa...
À tarde estarei lá e tiro uma foto dele para a próxima crônica, aí quem sabe leitores fiéis poderão me ajudar a identificá-lo. Agora terei que sair para fazer aquele giro das lojinhas; com senhoras naturalmente.
Termino a crônica depois.
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No dia seguinte.
Acordei cedo. Café do hotel fechado. Padaria Serrana fechada. Vim aqui pra esquina, Café do Barulho, onde os locais tomam café e o dono se chama Luiz Gonzaga, sim. O pai dele, alemão, ouviu Gonzagão explodir nas rádios.
Ontem eu roubei nas lojinhas.
O giro previsto era de umas duas horas, fiz 43 minutos e parei no Dortmund. Como dizia meu avô, não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje. Ei-la:



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