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Harry Potter no Schiavo

Foto do escritor: Carlos Camacho
Carlos Camacho
há 12 horas
3 min de leitura
Bruno do restaurante Schiavo em Serra Negra
Bruno do restaurante Schiavo em Serra Negra

Juro. Eu tentei ficar quieto. Só tomar uma taça de vinho com polpetone. Não consegui. Chamei-o de Harry e daí para a foto num passe de mágica. Expliquei-lhe que tinha encontrado o Kafka no Carro Véio, encaminhei-lhe a crônica anterior e arrematei: Harry, não tenho assunto para o texto deste final de semana!


Eu admiti que não lera nenhum livro da série e ele que realmente é muito parecido com Daniel Radcliffe nos oito que foram gravados. O filme eu vi, o primeiro. J.K. Rowling escreveu a Pedra Filosofal num café chamado The Elephant House, Edimburgo, Escócia, ao lado de sua filha pequena ainda no carrinho. Tempos difíceis para ela. Diz a lenda que a sua obra foi recusada por mais de uma dezena de vezes, até ser aceita por uma editora pequena (Bloomsbury) depois que a filha de Barry Cunningham (editor infantil), então com oito anos, pediu para ler o capítulo dois.


O Bruno Harry é simpático como na foto. O Schiavo é um restaurante muito agradável, turistão com autenticidade. Eu, como sou chato, só palpitei que o sugo estava um pouco doce para o meu paladar. O atendimento é ótimo. Leve. Afastado alguns metros da muvuca da praça principal onde ficam os restaurantes. Não deixem de incluí-lo na próxima vinda a Serra Negra e, se forem fãs de Harry, uma foto com o Bruno.


Serra Negra continua com o comércio agitado, trenzinhos de passeio e as senhoras indo e vindo de todos os lugares. Todos. Não há vista possível sem senhoras. Vim muito para cá quando era jovem. Muitos dos lugares já não existem, exceto, por óbvio, a padaria Serrana que segue com o mesmo nome apesar de proprietários diversos ao longo do tempo. Diz a rádio peão que quem compra a padaria inclui no negócio a receita original e secular da empadinha.


Um amigo me indicou o buteco raiz da cidade: Bar do Zé, também conhecido por Barzão. Raiz. O Zé é agitado e atencioso. O lanche boca de anjo de provolone e salame é surreal. Lógico que é impossível não tomar um chopp Dortmund no Boulevard Coronel. A turma de lá é muito gente boa e o Felipe é caricato. Tem uma barba ruiva com um nó na ponta. Personagem. Ele me lembra alguém, só não sei exatamente quem, ainda. De alguma jornada épica, nórdica e fantasiosa...


À tarde estarei lá e tiro uma foto dele para a próxima crônica, aí quem sabe leitores fiéis poderão me ajudar a identificá-lo. Agora terei que sair para fazer aquele giro das lojinhas; com senhoras naturalmente.


Termino a crônica depois.


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No dia seguinte.


Acordei cedo. Café do hotel fechado. Padaria Serrana fechada. Vim aqui pra esquina, Café do Barulho, onde os locais tomam café e o dono se chama Luiz Gonzaga, sim. O pai dele, alemão, ouviu Gonzagão explodir nas rádios.


Ontem eu roubei nas lojinhas.


O giro previsto era de umas duas horas, fiz 43 minutos e parei no Dortmund. Como dizia meu avô, não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje. Ei-la:



Não é possível. Vou me controlar. O Clay Morrow (Ron Perlman), Sons of Anarcky, acaba de descer da moto. Senta-se na mesa atrás de mim. Pensamentos intrusivos me pedem para ir lá falar com ele.

Não!


Preciso terminar a crônica e voltar para a realidade.

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