"Writing is boring as hell. It is tedious, it is not fun. It is sheer torture. But it has moments of great joy as well that keep you going" Robert Greene.
A reputação sempre chegará antes.
Nas primeiras horas da madrugada, no café, nossos nomes estarão circulando pelos corredores sociais. De nossas empresas. Costumo dizer que dificilmente há negócios bons com pessoas ruins. Não raro procuramos saber de terceiros como são aqueles que não conhecemos; embora tenhamos os contratos escritos - formalização vinculante das vontades respectivas - é válida uma pesquisa prévia.
São as estrelinhas do Uber;
da professora da escola,
do Guia Michelin e
das patentes do exército.
Elas que dirão quão confiável é o motorista. A patente no comando. São, na verdade, a sua reputação. Não à toa protegida juridicamente - chamamos de honra objetiva (opinião pública) em contraste com honra subjetiva (nossa opinião sobre nós mesmos). Nem sempre há uma correspondência; vale refletir por alguns segundos, dias, e decidir quantas estrelinhas você se atribuiria. Depois, pergunte por aí para saber se coincidem. Só por curiosidade.
Lógico que a nossa reputação não pode ser aferida só pelo número de estrelinhas; critérios são tão importantes quanto. Bandidos almejam uma fama diferente dos mocinhos.
Nós não a construímos da noite para o dia; ainda que involuntariamente. Leva tempo, consistência e firmeza clara de propósitos. Depois, se atacada, há de ser defendida vigorosamente para que todo o trabalho não tenha sido em vão. A reputação nada mais é do que uma bola de cristal. Tentativa de prever o futuro. Não é absoluta; indiciária.
O patriarca foi locador de três imóveis comerciais por mais de vinte anos por contrato verbal com os seus inquilinos. Acreditem, acontece. O chamemos criativamente de Sr. Eurípedes. Não, melhor, Sr. Bigode. Quando conversei com dois dos locatários para entender o contexto foram taxativos...nunca tive problema com o Sr. Bigode, a palavra dele não fazia curva. Depois de combinado era tudo cumprido. Agora, depois que ele faleceu, os herdeiros não se entendem e o que combinei com a sua filha não foi cumprido. Depois, por coincidência, encontrei uma pessoa que conhecia o Sr. Bigode...ah, a palavra dele não fazia curva. Pessoa simples mas de confiança, depois de combinado não tinha erro.
Quando estagiava a advogada Priscila Fonseca ainda não tinha saído na capa da Vejinha. Não era famosa ainda. Usávamos fax; recebi a mensagem dela em tratativas e levei-a ao advogado. Ele leu. De novo. Torceu o nariz e disse...essa advogada não nos deixa respirar. Carlão, ela é boa. E assim foi construindo a sua reputação. Uma década depois um cliente dela me procurou para assumir o seu caso e lembrei desse fax.
A sua reputação chega antes. Cuide dela.
Defenda-a se a quiserem manchá-la injustamente.
Seus adversários por vezes a atacarão quando lhes for conveniente. A relação cliente-advogado é de confiança. Quando esta se quebra não há o que fazer; o trabalho se torna imposssível. Um dos sinais de que o cliente possa ser o problema é a quantidade de advogados que ele teve ao longo de um processo; num determinado tempo.
A reputação chega antes.
Vou te dar 4 estrelinhas tá bom Sr. Bigode ?!
Se tivesse formalizado as locações seriam 5.
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