top of page

tudo pode ser roubado

  • Foto do escritor: Carlos Camacho
    Carlos Camacho
  • 13 de dez. de 2019
  • 2 min de leitura

Pai, tenho duas novidades.


Qual você quer que eu conte primeiro, a boa ou a não tão boa? "Deixo" vê se entendi. Você tem duas novidades. Nenhuma é ruim. As duas são boas, mas uma é melhor que a outra? Uma é boa e a outra é ótima. Isso pai, qual você quer ouvir primeiro? Eu quero ouvir a boa primeira e depois a ótima! Uma delas foi o livro que ela comprou, com o título acima, e logo me contou do que se tratava. Ler um livro indicado ou obrigado pela Escola é uma coisa; escolher na livraria dentre tantos é outra coisa completamente diferente; é magia pura.


É um feitiço que nos ataca.


Você entra na livraria como quem não quer nada. Passa pelos lançamentos, passa pelos clássicos, pega, abre, cheira, passa a mão na capa. Lê a sinopse. Lê a primeira página. Pergunta o preço. Lembra dos livros não lidos em casa. Compara com o preço do e-book. A gente sabe que quer ler. Nem sempre exatamente o quê. Até que o livro nos escolhe. Até que você percebe que aquela história precisa ser lida. Lembro-me de um período da minha vida em que fui obrigado por mim mesmo a sequer entrar nas livrarias. Meu orçamento já não me permitia inúmeros livros não lidos e eu ainda querendo comprar mais e mais.


Como quem procura por água num deserto sedento.


Depois de um tempo a compulsão passou. Voltou quando eu comprei o Kindle. Depois passou. As grandes livrarias tiveram o seu período de glória. Hoje grandes espaços foram sendo reduzidos e muitas fecharam, da Barnes and Noble até a Saraiva. Até a livraria da Vila encerrou suas atividades num Shopping perto daqui. Consequências do efeito Amazon que, agora, começa a reabrir lojas físicas. O título do livro é muito bom. Quando ela me contou desconfiei que os objetos roubados seriam coisas, itens e produtos diversos, mas a idéia de que o "tudo" poderia ser imaterial logo me enfeitiçou; como o tempo, a esperança ou a alegria.


Dei-me conta dos ladrões de esperança; os pessimistas.

Dos ladrões de coragem; os covardes.

Dos ladrões do futuro; os corruptos.

Dos ladrões do tempo; os idiotas.


Tudo nos pode ser roubado.


Do boné à alegria. Roubar é subtrair para si ou para outrem coisa alheia móvel, mediante grave ameaça ou violência. Roubo no título, pois, está no sentido mais amplo, popular, do que o sentido técnico. O certo seria falarmos em furto. Tudo igualmente pode ser furtado. Para este delito talvez tenhamos mais ocorrências. No furto quem subtrai não usa de violência ou grave ameaça, embora possa se utilizar, na forma qualificada, do abuso de confiança. Assim...o objeto do furto e do roubo são coisas e não sentimentos.


Não é crime tomar para si a esperança de outrem.


Não é crime tirar de outrem a alegria.


Não é crime subtrair de outrem a fé.


Ficou chata demais esta crônica! Calma que já está acabando. Estou eu aqui a furtar o seu tempo com ardil de que a crônica seria interessante. Viu só, a todo tempo tem alguém subtraindo alguma coisa de você que você nem percebe.


Ah, querem saber qual era outra novidade?


Não conto.

Comentários


@2025 - Todos os Direitos Reservados - ANTES QUE EU ME ESQUEÇA - CRÔNICAS E ESCRITAS - From WWEBDigital

bottom of page