Nem pensei muito. Peguei o zap e mandei um áudio para o Garcino. Por razões que desconheço achei que ele fosse saber o nome da música. Na verdade eu liguei antes; logo, porém, me dei conta de que era uma e pouco da manhã. Eu precisava lembrar o nome da música naquele momento; também por razões que desconheço encanei com a música naquela noite.
Bom, nem tão aleatório assim o motivo.
Fui conhecer o Albero, restaurante italiano recém-inaugurado em Limeira. Enquanto conversava com o gente boníssima do Carlos, o dono, tocava um trompete que me lembrou a playlist "jantar relax". Que me lembrou então a música de que eu não lembrava o nome. Confuso? Nada mais horrível do que lembrar vagamente de um refrão... mas eu tinha tanta certeza de que ela existia. O zap é um perigo nessas horas.
No dia seguinte - como só poderia ser - o Garcino me respondeu também em áudio. Ele não sabia, mesmo eu cantando perfeitamente o refrão. Fui dormir revoltado. Acordei; a primeira coisa que me veio à cabeça foi aquela música. Bom, digamos, sóbrio, eu achei a música.
O Google achou na verdade depois que eu lhe cantei friamente o refrão.
É linda. Don McLean fez para Van Gogh.
Por razões que eu desconheço, na noite anterior eu achei mais interessante falar com ele do que com o Google. Bom, ele é músico. Casado com uma música e uma das professoras de violão mais talentosas que eu já vi na vida. E são gente boa demais. Eu acho que estava com saudades deles. Meu subconsciente devidamente estimulado achou mais interessante aloprar o Garcino, a quem eu carinhosamente chamo de Garcinópolis, do que qualquer outra pessoa e até mesmo o Google.
Eu sempre vi uma luz diferente nele, algo brilhante e radiante, como se fosse a energia de uma cidade iluminada, daí a cidade de Garcino, Garcinópolis. Apelido que carinhosamente lhe conferi. Acho que minha impressão estava certa.
Em dado momento da vida, deixou de advogar e hoje se dedica a ajudar outras pessoas a explorarem o seu potencial de vida através da AcadyMind. Trocou a tribuna pela plateia. E agora tudo meio que faz sentido.
Garcinópolis tem as ruas iluminadas, mas não por lâmpadas. Pelo céu estrelado. E, assim, com a lua cheia e as estrelas sibilando vive a despertar a grande luz em seus semelhantes. Nunca zombe dos perdidos enquanto estiverem em sua busca interior; pela maximização de seus potenciais.
A trombeta da morte só toca para aquele que deixou de procurar sentido na vida. Vincent retrata um velho angustiado vestido de azul sentado num banco. Um azul bruto. Um azul-desespero. Um azul-insano. Por razões que desconheço, momentos e músicas me esquecem sem ao menos me avisar.
Talvez para deixarem que novas experiências sejam vivenciadas, como telas brancas que aguardam novos expressionismos.
Talvez para que eu pudesse escrever esta crônica.
Talvez para lembrar de Garcinópolis.
Não conhecem? Deveriam, sempre tem um perto de você.
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