O Amarelo
- Carlos Camacho

- 14 de dez. de 2017
- 2 min de leitura

Durante alguns meses nosso universo se tornou amarelo. Eu particularmente não poderia imaginar que, em tempos de celular, uma máquina fotográfica pudesse se tornar algo tão atrativo. No final do dia nos juntávamos para ver as fotos tiradas. A exposição Os Americanos, Robert Frank, no IMS em São Paulo contou muito; ali elas entraram no universo da fotografia penso eu. Eu comprei a máquina para mim; para ilustrar os posts das crônicas. Logo a perdi; logo contei a elas que estava tirando fotos de tudo que era amarelo; vivo e diferente. Foram as únicas três palavras que disse a elas.
AMARELO - VIVO - DIFERENTE
E, assim, com o amarelo vivemos diferente por alguns meses. A máquina passou a ser a nossa companheira de estimação, logo regras foram estabelecidas para evitar que ela se tornasse o algoz. Houve dias que meu papel era descarregar o cartão de memória e carregar a bateria. Na rua, na lanchonete, nas exposições, no carro, no cotidiano e nos finais de semana. O amarelo vivo pode ser sutil. É passageiro. Personagem principal ou coadjuvante. Não tardou muito e percebermos que enxergamos o mundo como desejamos; da cor que queremos. O amarelo está ao lado do preto. No meio deles o azul.
Uma flor no rosto da atendente.
Uma placa mandando você fazer a curva, reduzir seu ritmo de vida. O amarelo que balança com o vento e não é o sol. O que seriam das estradas sem caminhões amarelos e sem os amarelinhos da cidade de São Paulo? Não são amarelinhos? Ah, são marronzinhos?! Juramos que os vimos amarelinhos...Nem as pessoas de amarelo escaparam das pequenas. Os adultos não se incomodam de serem fotografados pelas crianças; não vêem uma máquina fotográfica e sim um brinquedo.
A toalha amarela, a cortina amarela e o fusca amarelo.
Há muito amarelo além da bandeira brasileira.
O amarelo que alerta nas placas e no semáforo é o mesmo que brilha nas luzes noturnas; é o mesmo das flores que brilham durante a luz amarela do sol. E, devo dizer, ao final, as melhores fotos foram tiradas por elas e dispensam legenda eis que cada uma, se lhe apontam a foto, sem titubeio, já dizem. Fui eu. Foi ela. Fui eu. Foi ela. Foi você pai. Não filhas; fomos nós.





































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